«Caminho das Oliveiras» – Milénios de história contados sob os ramos de sete oliveiras

Sete oliveiras milenares, uma delas com 2450 anos, integram um percurso sinalizado, identificado e visitável, no Hotel Rural Horta da Moura, em Monsaraz. O «Caminho das Oliveiras», implantado em parte dos sete hectares da unidade hoteleira, exalta a importância histórica, cultural e natural destas árvores, da azeitona e do azeite na sua ligação ao território.

O espaço envolvente ao Hotel Rural Horta da Moura, uma unidade de quatro estrelas implantada em Monsaraz, conta com um percurso que convida a descobrir a história do território «escutando» o que têm para dizer oliveiras milenares, uma delas com a idade certificada de 2450 anos, tornando-a a segunda mais antiga de Portugal.
O «Caminho das Oliveiras», assim baptizado por Maria Luísa Paiva dos Santos, Presidente do Conselho de Administração do Hotel Rural Horta da Moura, contou com uma cerimónia que formalizou a abertura oficial do percurso sinalizado.

No decurso da apresentação, a administradora da unidade de turismo rural, sublinhou a importância de preservar e reabilitar para a comunidade estes testemunhos do património local. «Um caminho que é de todos e que demonstra quão importante é investir nos territórios, tornando-os vividos pelos locais e pelos de fora. No fundo tornando-os participados e reabilitando-os com finalidades diversas, entre elas o turismo».

Também presente nessa cerimónia que formalizou a abertura do Caminho, Vítor Silva, da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, realçou «o empenho da administração e equipa da Horta da Moura em inovar e transformar-se. Este é o mais antigo hotel rural do Alentejo e nos últimos anos tem feito um esforço de inovação grande. Este jardim das oliveiras permite aos hóspedes terem uma visão mais abrangente do Alentejo».

Vítor Silva referiu ainda que «a oliveira é uma árvore sagrada do Alentejo e não tem sido suficientemente valorizada a não ser no seu aspecto económico, de extracção do azeite e utilização da azeitona. Com esta iniciativa valoriza-se também o aspecto patrimonial. Estamos perante oliveiras milenares. É importante esta preservação do património natural para que não se abatam estas oliveiras, mesmo quando deixam de ser produtivas».

A abertura deste «Caminho das Oliveiras» decorre de um repto lançado pela administração da Horta da Moura à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Empregar nas oliveiras integradas na área ocupada pelo hotel um processo de investigação, datação e certificação desenvolvido, desde há alguns anos por aquela instituição. Trata-se de uma metodologia inovadora em Portugal que consiste num cálculo matemático que afere a idade através do raio, diâmetro e perímetro da árvore.

Um procedimento que José Lousada, investigador da UTAD explicou à reportagem do Café Portugal: «desde há dois anos temos vindo a desenvolver um método que permite datar as oliveiras.
Uma oliveira com mais de 150 anos já não tem o seu núcleo central, ou seja impede-nos de estudar os anéis de crescimento. Assim, empreendemos uma espécie de puzzle em que vamos preenchendo os núcleos das árvores antigas. Partimos progressivamente de árvores maiores para mais pequenas, que tinham a parte central do tronco intacta, para estudar o crescimento desta espécie. Nessas árvores, já podíamos contar os anéis e sabíamos a sua forma e dimensão», explicou o José Lousada.

Um método que não causa qualquer lesão à árvore objecto do estudo.

As sete oliveiras implantadas no Hotel Rural Horta da Moura, com idades diversas, «todas antiquíssimas, desde os 750 anos aos 2450 anos (um dos exemplares conta 1370 anos e outro 1330 anos), ainda dão o seu fruto (três toneladas de azeitona na última campanha) e assim poderão continuar por mais anos. «É difícil saber quando podem deixar de dar fruto ou mesmo morrer. São árvores muito resistentes», adiantou o investigador da UTAD, sublinhando a «importância histórica, cultural e natural destas árvores» que receberam em Dezembro de 2012 a certidão de idade conferida pela instituição universitária.

Recorde-se que os 2450 anos da oliveira campeã, um exemplar de tronco imenso e copa verde e robusta, permitiram-lhe atravessar momentos fulcrais da história peninsular. «Viu» nascer Portugal enquanto nação e, muito antes disso, já vivia como jovem exemplar durante o período romano, conheceu as invasões bárbaras e atravessou todo o calendário da presença moura na Península Ibérica. Quantas mãos por ali passaram? Que mãos as plantaram?

Informação que, como sublinhou fonte ligada ao Hotel Rural Horta da Moura, acompanha as explicações de um guia que encaminha todos os hóspedes e visitantes através dos espaços naturais contíguos da unidade, estes um mosaico de oliveiras, laranjeiras, recantos com ervas de cheiros, numa paisagem envolvente marcadamente alentejana.

Uma «aula» que inclui, ainda, um enquadramento sobre as diversas espécies de oliveira, as diferenças de olivais e segredos sobre o azeite.

Azeite este que poderá servir de pretexto para degustar as artes da mesa. Isto no restaurante Feitiço da Moura, integrado na unidade hoteleira.
Uma cozinha que denuncia sabores alentejanos e que se associa a este «Caminho das Oliveiras» numa ementa que enaltece a importância do «ouro líquido» para a região onde se insere o hotel rural. Um território pródigo em oferta turística: a rota do megalitismo, os barros de São Pedro do Corval, maior centro oleiro em funcionamento em Portugal, as vistas desde a vila medieval de Monsaraz. E, dai, um olhar sobre o maior lago artificial da
Europa, a albufeira de Alqueva. Ou mesmo um passeio de barco nas águas plácidas do lago.

Fonte: Café Portugal

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