Restaurante «Feitiço da Moura» – O Alentejo à mesa

Aos sabores tradicionais do Alentejo juntam-se outros produtos da terra. Um compromisso com a tradição, sem desmerecimento de um toque de cozinha mais moderno. Sentamo-nos à mesa do restaurante «Feitiço da Moura», inserido na unidade de turismo rural, Horta da Moura, Reguengos de Monsaraz. Como cenário, uma paisagem sem sobressaltos, bucólica, devolvida por uma enorme janela. O Alentejo compõe a sua feição primaveril. O momento faz-se dentro de portas, com os prazeres da mesa. São servidos com discrição, elegância e criatividade.

A vila fortificada de Monsaraz ergue-se imponente no cimo do monte. No sopé da elevação aconchega-se a unidade de turismo rural Horta da Moura, de quatro estrelas. A paisagem não desmente o Alentejo. Ampla, matizada com os verdes da Primavera. Pintalgada de flores, muitas oliveiras, algumas copas pendentes de sobreiros.
Próximo, espreitam as águas serenas da barragem de Alqueva. Uma paisagem devolvida pelas janelas amplas do restaurante «Feitiço da Moura», com lotação para 50 pessoas.

Dentro, o espaço compõe-se com esmero, moderno quanto baste, sofisticado sem constranger. Uma sala que só esbanja em duas coisas: a luz solar e a diversidade à mesa. Na ementa cruzam-se sabores. «A nossa carta é sazonal porque nos adequamos ao ritmo da natureza. Colhemos o que a horta dá quando é a sua época», explica o Chefe do «Feitiço da Moura», Narciso Peraltinha. Uma conversa iniciada ainda na recepção do restaurante, uma pequena sala que funciona como bar e, na qual, é possível aguardar pela mesa repleta de sabores da terra.

As azeitonas pisadas temperadas com alho e azeite desfazem-se na boca, suaves, preparando o paladar para o mini pão de linguiça, estaladiço e de sabor intenso. O restaurante inserido na unidade rural Horta da Moura, junto a Monsaraz, alia uma cozinha de pendor tradicional, à apresentação cuidada, com um toque contemporâneo.

O sol já toca a linha do horizonte. Depois de um dia quente de Primavera, fica no ar o aroma das flores. No pão alentejano barra-se ora manteiga de alho e coentros, ora patê de enchido, laboriosamente trabalhados pela cozinha do «Feitiço da Moura». À beira do lago, a refeição na unidade de turismo rural rega-se com vinho da casa, Vinho d’Ervideira DOC (Denominação de Origem Controlada). Este é um dos vinhos alentejanos da carta ao qual se juntam outros vinhos das diferentes regiões demarcadas do país.

Fora, o céu fica carregado de estrelas e os grilos dão as boas-vindas às primeiras noites quentes depois de um Inverno rigoroso. A escolha do prato principal recai sobre a carne de alguidar com migas de coentros, laranja e puré de maça. Uma opção «em cheio» entre a variedade de opções, como «bacalhau confitado em azeite, com alho, coentro e pão alentejano; tranchas de polvo panadas em seu arroz e lombinhos de porco alentejano com batata recheada e pêra bêbeda».

«Sou alentejano e aprendi a nossa cozinha com os meus pais e avós. A diferença que introduzi foi a apresentação dos pratos. Tento ter alguma criatividade no empratar», explica Narciso Peraltinha, deixando assim a curiosidade aguçada.
Os poucos minutos que medeiam até chegar à mesa o prato de resistência dão ainda tempo para provar as últimas entradas: o queijo curado de cabra, a linguiça assada e o azeite aromatizado. Todas elas antecipadamente explicadas pelo Chefe de sala, Nelson Vicente, um dos oitos funcionários do restaurante. Todos eles alentejanos. «A carne é do alguidar porque se coloca nesse recipiente para temperar com massa de pimentão», diz o Chefe.

Chega o prato principal. As migas dispõem-se num formato semelhante ao de um queijo. Os pedacinhos de carne de porco apresentam-se salteados pelo prato, em torno das migas. Acompanha-os triângulos de laranja cobertos com puré de maçã. A carne e as migas são dois alimentos quentes e de sabores intensos. Por um lado o pimentão da carne, por outro os coentros misturados no pão.
Sabores fortes entrecortados com a frescura da laranja e do puré.

Este deambular por um Alentejo à mesa aproxima-se do fim. Mas a sobremesa é indispensável. A escolha é difícil. As sugestões passam pelas mousses de chocolate e morango para entrar na doçaria alentejana como a sopa dourada, o bolo de mel e noz e pudim alentejano. A escolha recai sobre este último.

O dito popular de que «primeiro comem os olhos» é comprovado no «Feitiço da Moura» desde a chegada ao espaço, não ficando perdido na hora da despedida. A sobremesa chega-nos numa pequena travessa onde foi colocado um rectângulo de pudim de um lado e do outro uvas cortadas ao meio e regadas com vinho do porto.

O pudim cremoso feito com toucinho, entre outros ingredientes, equilibra o sabor quente e denso com o vinho do porto e a frescura da uva. «Mais uma vez a tradição aliada a alguma criatividade», remata Narciso Peraltinha.
Todos os sabores do «Feitiço da Moura» podem, em breve, ser experienciados numa só refeição. «Estamos a preparar menus de degustação. Para os saborear é necessário reserva antecipada.
Para o almoço a reserva deve ser feita de véspera. Para o jantar pode ser durante esse mesmo dia», explica o director da unidade rural, José Alves.

Fonte: Café Portugal

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